STJ autoriza Estados a revisarem valor usado no cálculo do ITCMD.
- 12 de mar.
- 2 min de leitura

Entenda o que muda para inventários e doações.
Quem já passou por um inventário ou recebeu um bem por doação provavelmente ouviu falar do ITCMD, o imposto cobrado pelos Estados sobre heranças e doações.
Recentemente, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que os Estados podem revisar o valor declarado pelos contribuintes para calcular esse imposto, quando entenderem que o valor informado não corresponde ao preço real de mercado do bem.
A decisão foi tomada no Tema Repetitivo 1.371, isso significa que ela passa a orientar casos semelhantes em todo o país.
Mas o que isso muda na prática? Vamos explicar de forma simples.
O que é o ITCMD?
O ITCMD é o Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação, ele é cobrado quando ocorre:
transferência de bens por herança (inventário);
doação de bens ou valores.
Entre os bens mais comuns que geram o imposto estão:
imóveis;
veículos;
valores em dinheiro;
participações em empresas.
O cálculo do imposto normalmente considera o valor do bem transmitido.
O que decidiu o STJ?
O STJ entendeu que os Estados podem abrir um processo administrativo para verificar se o valor declarado pelo contribuinte corresponde ao valor real de mercado do bem.
Isso significa que, se o Fisco entender que o valor informado está muito abaixo do mercado, ele pode reavaliar a base de cálculo do imposto.
Segundo o tribunal, essa possibilidade já está prevista no artigo 148 do Código Tributário Nacional (CTN), que permite ao Fisco arbitrar valores quando o declarado não for considerado confiável.
O Estado pode aumentar o valor automaticamente?
Não. O próprio STJ deixou claro que essa revisão não pode ser automática ou arbitrária.
Para revisar o valor declarado, o Estado precisa:
abrir um processo administrativo específico;
apresentar justificativa técnica para a revisão;
garantir ao contribuinte direito de defesa e contraditório.
Ou seja, o Fisco deve demonstrar que o valor declarado é:
omisso;
inconsistente;
ou muito diferente do valor de mercado.
Como isso pode afetar inventários e doações?
Na prática, a decisão aumenta a atenção sobre os valores informados em processos como:
inventários;
doações de imóveis;
planejamento sucessório.
Se o valor declarado não tiver critérios claros ou estiver muito abaixo do mercado, pode ocorrer:
revisão da base de cálculo;
cobrança complementar de imposto;
atrasos na conclusão do inventário.
Por isso, avaliar corretamente os bens transmitidos se torna cada vez mais importante.
O que fazer para evitar problemas?
A principal recomendação é garantir que os valores declarados sejam realistas e bem fundamentados.
Em processos de inventário ou doação, é importante:
utilizar avaliações coerentes com o mercado;
manter documentação organizada;
buscar orientação jurídica e notarial adequada.
Esses cuidados ajudam a evitar questionamentos fiscais e atrasos no processo.
Segurança jurídica começa com informação:
Decisões como essa mostram que transparência e organização documental são fundamentais em transmissões patrimoniais.
Quando os valores são declarados de forma adequada e com critérios claros, o risco de questionamentos fiscais diminui consideravelmente.
Se você pretende realizar um inventário, uma doação ou organizar seu planejamento patrimonial, buscar orientação especializada pode evitar problemas futuros.
Fonte: Migalhas

Comentários